Conversa sobre política no Brasil é cheia de palavras de efeito, mas sem sentido lógico. Manipular é moleza. Para tomar um exemplo, a candidata Marina Silva no debate da rede Bandeirantes empregou o termo "elite" com uma conotação totalmente diferente do que diz o chavão popular, e isso virou contexto para descaracterizar o que foi dito. Hoje vi meu Facebook inundado com esse tema. E o povo, mesmo estudado, se cega só para botar sua opinião no rol das polêmicas eleitorais. Pois bem, Marina Silva, de forma bem clara, falou de "elite" como também sendo os intelectuais, revolucionários, artistas e gente bem sucedida. Os gregos antigos, povo que atribuímos a invenção da democracia, assim formava sua elite: A criança, depois de se ocupar das coisas de criança, iniciava, aos 12 anos, um outro grau de aprendizagem. Passava a receber os conhecimentos necessários para realizar sua contribuição à pólis. Mas não bastava apenas pertencer a uma classe de cidadãos, pois a verdadeira formação desse ser humano se elevava no momento em que, aos 18 anos, ele deveria, aos olhos de todos os demais cidadãos, realizar um discurso cujo propósito é falar de si mesmo, ou seja, dizer quem ele é e como poderia contribuir para o desenvolvimento de sua comunidade. Não era pouca coisa, não se tratava de escolher uma profissão e o vestibular, ou de ter dinheiro para pagar uma universidade. Se tratava de um profundo processo de autoconhecimento. Quem eu sou era a pergunta a ser respondida, e somente nesse sentido esse cidadão seria avaliado. Essa era a elite, a aristocracia grega que tinha a permissão de falar em público e administrar a pólis.
Na nossa realidade, a opinião vale um voto, custe o que custar, entendendo ou não do que se fala. Nossa democracia é um show de marionetes, iludindo e se fazendo iludir, repetindo as mesmos discursos de sempre e reafirmando o medo sobretudo para que não tenhamos a coragem de falar de uma nova consciência, pois se você não está com um, está com o outro, se elogia gente rica, é contra o povo, se elogia o povo, é comunista, se fala em desenvolvimento econômico, é PSDB, se fala em inclusão social, é PT: Mas, se é PSDB, é egoísta, e se é do PT, é corrupto.
Mas fato é que, para entender toda a complexidade do sistema político, é preciso muito estudo, é preciso muito se informar e é preciso se libertar dos discursos que manipulam seu voto e sua consciência. Não se trata mais de PSDB nem de PT. Para construirmos uma verdadeira democracia, precisamos de uma verdadeira elite. Uma elite de pensamento refinado, uma educação ética e uma atitude próspera. Se não educarmos nossos filhos para que descubram quem verdadeiramente são e como poderão contribuir para a sociedade, não teremos os políticos que gostaríamos e continuaremos assistindo, passivos, a cada dois anos, as mesmas fantasias eleitorais de sempre.

O problema que a democracia moderna enfrenta é a tragédia inevitável de que a burrice de muitos vale tanto quanto a inteligência de poucos
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