Fez sua passagem Rubem Alves.
Li “A Alegria de Ensinar” ainda no início da minha formação na PUC e foi um êxtase. Eu não estudei toda a sua obra, acho que pela extensão do que ele escreveu, li até pouca coisa. Mas eu o reconhecia. Pensava em Rubem Alves e enxergava nele um mestre e o educador que eu mesmo gostaria de um dia ser.
Cumpriu sua missão esse grande professor.
Não gostaria de lamentar sua partida. Essa é uma vida que deve ser celebrada. Mas quando suas cinzas forem jogadas ao pé do Ypê, sinto sua partida sabendo que ainda muitas crianças brilhantes, questionadoras, rebeldes em sua inocente infantilidade estão sendo cada vez mais tolhidas pelo medo da transformação dos pobres conceitos da velha e resistente educação escolar...
Vai ser difícil desabrochar outros mestres como você em uma sociedade que conserta os supostos defeitos de comportamento nas crianças com medicação. Que troca o prazer pelo conhecimento pela ideia de competição, dever, trabalho. Que vê a criança como o problema sem enxergar onde o sistema cristalizou suas formas na intolerância e na ignorância.
Que sua vida continue nos inspirando por aqui, com a simplicidade e sabedoria de seus ensinamentos...
“O mestre nasce da exuberância da felicidade. E, por isso mesmo, quando perguntados sobre a sua profissão, os professores deveriam ter coragem para dar a absurda resposta: “Sou um pastor da alegria...” Mas, é claro, somente os seus alunos poderão atestar da verdade da sua declaração...”
- Rubem Alves, “A Alegria de Ensinar”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário